sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

RELAMPEIA


Da solidão tira-se a calma
Da rouquidão o silêncio
Menos fala e mais ação
Faz surgir o rompimento
Alergia no presente
Antigos vícios sendo expurgados
Tudo é dito e nada cala
Através da voz maior
Aquele que ouve a voz de dentro
Do coração ao acalento
Os dias passam serenos
Auspiciosos e com alma
Do frio aproveita-se tudo
Cada sopro, cobertor
A sopa quente e romance
De livro promissor
Suor escorre pelo rosto
Mistura-se ao salgado da lágrima
O cuidado com o corpo
Da bicicleta ao guarda-chuva
Remota existência, temores
Quando acorda rega flores
A noite perde o encanto
E o Sol seduz, corteja
Violetas, tartarugas
Incensos, novas rugas
Muita água, muita música
Sua família, sua redoma
De tudo tira proveito
Das festas à solidão
Da dança frenética à inércia
Do canto afinado à mudez absoluta
Torce o nariz
Arrebita a bunda
Caminha rápido
Sempre orando
Sábado de meio século
Encontros e lembranças
Muitas boas outras nem
Risadas, gotas, mofo e pó
Quem diz hoje, cala amanhã
Quem ri hoje, chora amanhã
Quem beija hoje, esfaqueia
O céu de hoje relampeia

25/03/2004
Paula Orsi Cruz

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